Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo confirmam o avanço da participação feminina nas políticas públicas de crédito rural. Entre 2023 e 2025, as mulheres representaram 43,2% das pessoas físicas que acessaram financiamento por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), fundo vinculado à secretaria estadual, voltado à modernização das propriedades, ao aumento da qualidade produtiva e da renda no campo.
Tal resultado adquire ainda mais relevância no atual contexto global, em que o acesso ao crédito e à infraestrutura produtiva figuram entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres do campo. Em 2026, a Organização das Nações Unidas, por meio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), declarou o Ano Internacional da Mulher Agricultora. A iniciativa busca ampliar o reconhecimento das mulheres na produção de alimentos e estimular políticas públicas voltadas à igualdade de oportunidades no meio rural.
Em São Paulo, além do acesso ao crédito, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento atua junto às produtoras por meio da assistência técnica e extensão rural, da pesquisa científica e da defesa agropecuária, oferecendo suporte para aumento da produtividade, melhoria da gestão das propriedades e geração de renda no campo.
“O fortalecimento da presença feminina no agro passa por instrumentos concretos de apoio às produtoras rurais. Em São Paulo, o crédito rural tem sido uma ferramenta importante para ampliar oportunidades, incentivar investimentos nas propriedades e estimular o desenvolvimento econômico das famílias rurais”, destaca o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Entre as iniciativas voltadas exclusivamente às produtoras está o FEAP Mulher Agro SP, linha de crédito destinada a apoiar investimentos nas propriedades rurais lideradas por mulheres. O objetivo é disponibilizar recursos financeiros para atender às necessidades das atividades agropecuárias desenvolvidas pelas produtoras e incentivar a formalização da atividade rural com o apoio técnico da Secretaria de Agricultura.
Desde 2023, a linha já disponibilizou R$ 27 milhões em financiamentos, beneficiando mais de mil produtoras rurais em diferentes regiões do estado. Os recursos podem ser utilizados para investimentos voltados à melhoria da infraestrutura produtiva e tecnológica das propriedades, além de ações de custeio associadas definidas em projeto técnico.
A linha permite financiamentos de até R$ 30 mil por produtora, com prazo de pagamento de até 84 meses, incluindo carência de até 12 meses, e taxa efetiva de juros de 2% ao ano. Os projetos são elaborados por técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) ou da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), que também acompanham a execução das atividades nas propriedades.
Para o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, o crédito rural também representa um importante ponto de partida para ampliar o acesso das produtoras a outros serviços do governo de São Paulo. “O crédito muitas vezes representa o primeiro contato mais estruturado entre o produtor e a assistência técnica. A partir da elaboração do projeto e do acompanhamento da aplicação dos recursos, os técnicos passam a atuar de forma mais próxima nas propriedades, orientando melhorias na produção, na gestão e na adoção de boas práticas. Isso gera mais produtividade, mais renda e contribui para o desenvolvimento regional”, afirma.
Impacto na vida das produtoras rurais
É o caso da produtora Fernanda Torres da Silva, do município de Cerqueira César. Ela atua há cerca de dez anos na bovinocultura leiteira, no Sítio São Pedro, propriedade de 18 hectares, onde conduz a produção com sua família. Em 2024, Fernanda acessou a linha do FEAP Mulher Agro SP para investir na modernização da atividade leiteira. Com um financiamento de R$ 25 mil, ela adquiriu uma ordenha mecânica, o que transformou significamente a rotina de trabalho na propriedade. “Quando dei entrada na documentação para o crédito do FEAP Mulher e deu certo, me ajudou muito. Me ajudou bastante. Antes de adquirir essa ordenha, eu tinha um transferidor pequeno que era uma vaca por vez. Eu gastava quase três horas para tirar o leite de 20 vacas. Agora, com esse modelo de ordenha, a gente não gasta uma hora. Tem mais tempo para fazer outras coisas na propriedade”, relata a produtora.