O Governo de São Paulo realizou nesta quinta-feira (26), na sede da Bolsa de Valores (B3), o leilão da parceria público-privada do Novo Centro Administrativo. O vencedor foi o consórcio MEZ-RZK Novo Centro, que apresentou proposta de 9,62% de desconto sobre a contraprestação pública mensal máxima, fixada em R$ 76,6 milhões. O outro proponente, o Consórcio Acciona-Construcap, ofereceu desconto de 5%.
“O projeto do centro é construção de legado na veia. Este, que é o primeiro bairro planejado de São Paulo, nasceu para servir à aristocracia do café e de repente isso tudo se perdeu. Virou uma área degradada e as pessoas se afastaram. Era necessário fazermos alianças de políticas públicas, com saúde, assistência, segurança pública, habitação e ainda um investimento que fosse notável e transformador”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas. “Vamos devolver a cidade para as pessoas. Vamos devolver a dignidade para o centro de São Paulo. O efeito disso é enorme e o centro de São Paulo nunca mais estará degradado”, completou.
Com investimentos estimados em R$ 6 bilhões, o projeto prevê a construção de sete edifícios e dez torres na região dos Campos Elíseos, área central de São Paulo. O complexo vai abrigar o gabinete do governador, além das secretarias e órgãos estaduais, atualmente espalhados por mais de 40 endereços na cidade.
A iniciativa traz mais eficiência à gestão pública, reduz despesas administrativas e impulsiona a requalificação urbana do centro da capital, preservando o patrimônio histórico e ampliando serviços à população. A nova estrutura abrigará cerca de 22 mil servidores e contará com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços.
“Todos nós nos unimos em torno de uma ideia, que se transformou em um projeto e que conquistou o coração de todos. Nós vamos resgatar o afeto dos paulistas pelo centro de São Paulo e vamos dar a atenção devida à população que vive na região”, afirmou o secretário de Projetos Estratégicos do Estado, Guilherme Afif Domingos.
O projeto ainda inclui o restauro de 17 imóveis tombados e a ampliação em mais de 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel. O espaço contará com 25 mil m² destinados a comércio e serviços, fortalecendo o desenvolvimento urbano e a economia local, além da construção de um novo terminal de ônibus, aprimorando a mobilidade urbana da capital.
Os novos prédios terão certificação internacional LEED Gold e incluirão soluções de eficiência energética, térmica e ambiental. A estimativa é de geração de 38 mil empregos durante a fase de obras e 2,8 mil vagas formais no comércio e serviços locais.
“O projeto do Novo Centro marca a retomada estruturada da região, com foco em eficiência, modernização administrativa e melhor uso dos recursos públicos. A proposta é reorganizar estruturas, otimizar equipes e qualificar o atendimento, garantindo um serviço eficiente ao cidadão”, afirmou o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini.
A concessão, elaborada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), e com apoio técnico da Companhia Paulista de Parcerias, terá contrato de 30 anos. A proposta vencedora ofereceu o maior desconto ao Estado, assegurando economicidade e previsibilidade à operação. O governo realizará os pagamentos previstos no contrato, de acordo com o desempenho da concessionária, para garantir a sustentabilidade financeira do projeto. A empresa será responsável pela operação e manutenção do complexo durante todo o período da concessão, incluindo serviços de limpeza, segurança e conservação.
“Temos muito orgulho de participar desse projeto de revitalização do centro. Vamos fazer de tudo para colocar isso para frente o mais rápido possível”, afirmou Felipe Mahana, diretor da M4 Infraestrutura, uma das empresas que integram o consórcio vencedor.
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Durante o período de licitação, o projeto contou com ampla participação da sociedade. Foram realizadas duas audiências públicas em fevereiro de 2025, com mais de 80 manifestações, e consulta pública que recebeu mais de 268 contribuições entre janeiro e março, todas analisadas e consolidadas na modelagem final do projeto.
O projeto arquitetônico também é outro destaque do projeto e foi escolhido por meio de um concurso público nacional, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IAB), que registrou um recorde de inscrições, e a proposta vencedora foi do escritório Ópera Quatro Arquitetura, que será responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo.
A mudança do Centro Administrativo para o coração da capital paulista também tem a aprovação da população da cidade. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, que entrevistou 1.564 pessoas na capital, revelou que 83% dos moradores ou trabalhadores da região central acreditam que a região ficará mais segura, além de esperar melhorias na limpeza urbana (80%), na oferta de empregos (74%), no turismo da região (70%) e nas condições de moradia (55%).
Para a população em geral da cidade, 64% dos paulistanos consideram a mudança ótima ou boa e 77% acreditam que haverá melhores condições de segurança. Além disso, entre 79% a 84% avaliam que o projeto traz mais benefícios do que prejuízos para moradores, comerciantes, trabalhadores e para a cidade.