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Operação Fim da Fábula desmantela esquema de estelionato digital e prende 12 pessoas
Ação da Polícia Civil e do Ministério Público, que segue em andamento, identificou quadrilha especializada em golpes do INSS, do falso advogado e d...
24/02/2026 14h08
Por: Redação Fonte: Secom SP

A Operação Fim da Fábula, deflagrada nesta terça-feira (24), prendeu até o momento 12 pessoas suspeitas de integrar uma associação criminosa especializada em golpes digitais. A ação, que segue em andamento, cumpre 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária nos estados de São Paulo e Minas Gerais e no Distrito Federal. Todas as prisões registradas até agora ocorreram no território paulista.

Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, embora os golpes aplicados pela quadrilha — como o do INSS, o do falso advogado e o da “mão fantasma” — já sejam conhecidos, o que chamou a atenção foi o nível de organização do grupo e o uso intensivo de tecnologia. “Depois de conseguir o dinheiro das vítimas, eles ainda lavavam esses valores, seja por meio de plataformas de apostas on-line ou fintechs, para dificultar o rastreamento. Mas não deu certo”, afirmou.

Autoridades da Polícia Civil e do Ministério Público, que atuaram de forma integrada na investigação, explicaram em coletiva de imprensa que o trabalho começou pela identificação dos núcleos estratégicos e decisórios da organização, responsáveis por coordenar as ações criminosas. Em seguida, foram mapeados os executores dos golpes, operadores financeiros e integrantes encarregados da ocultação patrimonial.

“A união de esforços é o único caminho para asfixiar o capital dessas organizações e combatê-las de forma efetiva”, afirmou Ivan Francisco Pereira Agostinho, subprocurador-geral de Justiça Criminal do Ministério Público.

Lavagem em camadas e bloqueio bilionário

De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o grupo adotava o modelo conhecido como “lavagem em camadas”, com sucessivas transferências de recursos entre familiares, empresas de fachada e contas de terceiros para dificultar o rastreamento do dinheiro.

“Tivemos que aplicar a estratégia de ‘seguir o dinheiro’ para desvendar toda a engrenagem criminosa”, explicou o delegado e diretor do Deic, Ronaldo Sayeg.

O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp) identificou ao menos 36 imóveis ligados aos investigados, inclusive registrados em nome de “laranjas”, além de centenas de veículos, embarcações, joias e valores em espécie. Parte desses bens foi apreendida durante a operação.

As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista. Segundo os investigadores, considerando o teto de R$ 100 milhões por conta, o bloqueio judicial pode alcançar cifras bilionárias, a depender do saldo existente nas 86 contas alvo da decisão.

Cerca de 400 policiais civis e promotores participam da ofensiva, que conta com apoio de outros departamentos da Polícia Civil paulista e das polícias civis de Minas Gerais e do Distrito Federal.

A operação segue em andamento. Os mandados são cumpridos nas cidades de Arujá, Atibaia, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Praia Grande, Santo André, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto, São Paulo e São Vicente (SP). Em Capitólio e Nova Lima (MG) e em Brasília. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e consolidar as medidas de recuperação de ativos.