São Paulo passa a contar, a partir do primeiro semestre de 2026, com uma nova opção de ensino superior público e gratuito. Credenciada pelo Ministério da Educação (MEC), a SP Escola de Teatro, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela Organização Social de Cultura ADAAP (Associação dos Artistas Amigos da Praça), passa a se chamar SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco, e inicia o Curso Superior de Tecnologia em Produção Cênica, mantendo sua formação estruturada em oito linhas de estudo nas artes do palco.
O ingresso ocorre por seleção semestral, com inscrições abertas entre março e abril e entre agosto e setembro, em duas etapas eliminatórias que incluem prova de redação e entrevista, seguidas de atividades presenciais específicas por área. A edição prevista para março e abril de 2026 oferecerá mais de cem vagas para o Curso Superior de Tecnologia em Produção Cênica, com reserva de 20% das vagas para pessoas negras, pessoas com deficiência e indígenas. O curso terá duração de dois anos, carga horária total de 1.920 horas, aulas presenciais nos períodos matutino e vespertino, manterá as oito linhas de estudo e o sistema pedagógico da Escola, com acesso integralmente gratuito.
“A criação da SP Escola Superior de Teatro é uma decisão estratégica do Governo de São Paulo para ampliar o acesso ao ensino superior público e reconhecer as artes do palco como um campo estruturante de formação, trabalho e desenvolvimento. Ao transformar uma escola de referência em faculdade, o Estado consolida uma política permanente, que fortalece a qualificação profissional, valoriza trajetórias artísticas e amplia oportunidades para novas gerações”, afirma Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
A transformação em faculdade não altera os demais serviços oferecidos pela instituição. Além dos cerca de 400 estudantes do Curso Superior de Tecnologia em Produção Cênica, a SP Escola Superior de Teatro seguirá ofertando anualmente mais de 20 cursos livres e gratuitos de Extensão Cultural, residências artísticas com espetáculos abertos ao público, bolsas-auxílio para estudantes de baixa renda e parcerias internacionais que promovem intercâmbios acadêmicos e artísticos.
“Trabalhamos muito para a transformação da Escola em uma faculdade. Foram anos de planejamento e implementação, com a vantagem de termos mantido todo o nosso sistema pedagógico, nosso maior lastro, uma vez que tem resultado em altos índices de empregabilidade e também serviu de inspiração para reformulações e currículos em universidades da Alemanha, Finlândia, Suécia e Suíça, o que nos enche de orgulho. Agora, com nosso curso superior, nossos estudantes terão ainda mais oportunidades, tanto no campo acadêmico quanto no profissional”, diz Ivam Cabral, diretor-executivo da SP Escola de Teatro.
Esse percurso, construído ao longo de mais de uma década e meia, culmina agora no reconhecimento formal da instituição como faculdade.
“A autorização e o credenciamento da SP Escola de Teatro como instituição de ensino superior representam um marco histórico para a formação artística no Brasil. Esse reconhecimento consolida uma trajetória construída a partir da excelência pedagógica empreendida pela ADAAP ao longo dos 16 anos à frente do projeto. Mais do que um avanço institucional, trata-se de uma conquista para o campo cultural, que passa a contar com uma escola pública capaz de integrar ensino superior, experimentação artística e políticas culturais, reconhecendo as artes do palco como campo estratégico do conhecimento e da economia criativa”, afirma Elen Londero, assessora de Desenvolvimento Institucional.
Criada em 2005 e inaugurada em 2009, a SP Escola de Teatro iniciou suas atividades em 2010 e, ao longo de 16 anos, consolidou um impacto significativo na formação de profissionais das artes do palco no Brasil e no exterior. Seu modelo pedagógico tornou-se referência internacional, sendo estudado por instituições como a Academia de Artes Dramáticas Ernst Busch, a Stockholm University of the Arts, a Zurich University of the Arts e a University of the Arts Helsinki.
Nesse período, a Escola formou milhares de profissionais altamente qualificados, impulsionou a criação de novas companhias teatrais, produziu publicações de referência acadêmica e promoveu mais de 340 intercâmbios internacionais, trajetória reconhecida por prêmios nacionais e estrangeiros e que posiciona a instituição entre as principais escolas de teatro da América Latina.
Dados de 2025 indicam que, entre 2015 e 2024, 88% dos estudantes formados nos cursos regulares estão inseridos no mercado de trabalho, sendo que 92,5% atuam diretamente nas artes do palco, em instituições como o Theatro Municipal de São Paulo, a rede Sesc, grupos e coletivos de todo o país e empresas do audiovisual e do streaming, como Globo, Netflix, Amazon e HBO.