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Vacina contra a dengue do Instituto Butantan começa a ser aplicada na população de Botucatu
Butantan-DV, desenvolvida pelo instituto do Governo de São Paulo, é a primeira vacina do mundo em dose única contra os quatro sorotipos da doença
18/01/2026 12h31
Por: Redação Fonte: Secom SP

O Governo de São Paulo participou neste domingo (18) de um momento histórico para a saúde pública, com o início da vacinação contra a dengue utilizando a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A Butantan-DV é a primeira do mundo em dose única, o que permite uma imunização mais rápida da população e reduz os custos e a logística de aplicação. Ela é tetravalente e foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus.

“Com a Butantan-DV, São Paulo entrega ao Brasil uma vacina 100% nacional, em dose única, que facilita a adesão e amplia a proteção. Os estudos que embasaram o registro mostram eficácia global de 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue”, afirma Eleuses Paiva, secretário de Estado da Saúde.

Morador de Botucatu recebe a vacina da dengue neste domingo (18)

A auxiliar administrativa Tereza da Silva Lopes, de 44 anos, foi a primeira moradora da cidade a receber a vacina.

Tereza da Silva Lopes

A vacinação começou a ser aplicada em moradores de Botucatu, única cidade de São Paulo escolhida pelo Ministério da Saúde para o estudo de impacto da imunização. O governo federal é o responsável pela estratégia de imunização, que inclui no Brasil também as cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.

“O Instituto Butantan tem o maior orgulho de estar presente em Botucatu no lançamento da vacinação contra a dengue. É uma iniciativa do Estado de São Paulo, Secretaria de Saúde de São Paulo e Instituto Butantan de disponibilizar a Butantan DV para esse programa piloto. É um orgulho ver a ciência brasileira dando soluções para a saúde pública nacional”, diz Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.

O município de Botucatu foi escolhido pela sua estrutura de saúde e pela experiência comprovada em operações de vacinação em massa contra a Covid-19. O município também registrou a circulação do sorotipo DENV-3, responsável pelo aumento no número de registros de dengue no ano passado.

Profissional de saúde aplica vacina contra a dengue em Botucatu

A meta é proteger 90% da população entre 15 e 59 anos e avaliar, em larga escala, a efetividade do novo imunizante, que já demonstrou segurança e eficácia em estudos clínicos anteriores.

A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp participa da ação e vai monitorar de perto os casos de dengue do município, a partir de uma análise laboratorial criteriosa. Os resultados vão compor o estudo.

Vacinação contra a dengue em Botucatu

Ritmo acelerado

O Instituto Butantan começou a entrega das doses da vacina contra a dengue para o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde no final de dezembro. Até o final de janeiro, a previsão é de serem entregues 1,3 milhão de doses.

Mesmo antes da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Butantan já havia dado início à produção do imunizante em seu parque industrial. Além disso, fechou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi para aumentar a produção e ampliar a entrega no segundo semestre de 2026.

Moradores compareceram em peso em escola estadual no centro para receber a vacina

De acordo com o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, a produção da vacina segue em ritmo acelerado pelo Instituto Butantan. “Até o final de janeiro, a expectativa é alcançar 1,3 milhão de doses, chegando a 3 milhões ao término do primeiro semestre. Até o fim do ano, a produção deve atingir 30 milhões de doses, com possibilidade de ampliação conforme a demanda nacional”, afirma.

A Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos.

De acordo com a estratégia anunciada pelo Ministério da Saúde, as primeiras doses entregues pelo Instituto Butantan serão destinadas aos profissionais da Atenção Primária, que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em visitas domiciliares. Com a ampliação da capacidade produtiva, o ministério deverá estender a vacinação ao público geral, começando pelos adultos de 59 anos e avançando gradualmente até as faixas etárias menores.

Moradores esperam a vez de receber a vacina

O Instituto Butantan pretende ainda ampliar a faixa etária de vacinação tanto para o público pediátrico quanto para aqueles acima de 60 anos. Para isso, já recebeu aprovação da Anvisa para avaliar a vacina da dengue na população de 60 a 79 anos. Se os resultados da pesquisa forem satisfatórios, será possível solicitar à agência reguladora a inclusão desse grupo nas recomendações do imunizante. Além disso, mais dados deverão ser coletados para avaliar a possível inclusão das crianças de 2 a 11 anos nas recomendações da vacina. Os estudos clínicos realizados já comprovaram que a vacina é segura nesta faixa etária.

Moradores fazem cadastro antes de receber a vacina

Ensaios e resultados

A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, encaminhados à Anvisa. De acordo com o estudo, no público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.

O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, (exantema (manchas vermelhas) no corpo, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.

Morador recebe a vacina
Aplicação da vacina contra a dengue em Botucatu
Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP